Leve, como leve pluma, muito leve leve, pousa. Muito leve leve pousará. (Secos & Molhados)
Nota mental: cultivar, com ousadia, a leveza. Sempre e mais.
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Recebi essa semana este texto e o achei muito pertinente. Compartilho com vocês:
Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão.
Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito ‘normal’ é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se ‘normaliza’ acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha ‘presença’ através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?
Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras , e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu ‘normal’ e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.’
Martha Medeiros
05.08.07-Jornal Zero Hora - Porto Alegre-RS


6 Comments
Sempre achei essa idéia de ser normal uma coisa esquisita! Acho que desde pequeno nunca consegui me adequar a um pensamento coletivo padrão determinante! O que foi muito bom, pelo menos ainda acho que estou indo pelo caminho certo! Beijos!
olá!!
estava sentindo sua falta por aqui!!
beijocas
a trilha imaginada do ney matogrosso no fundo… e eu aqui pensando, que bom ter uma amizade assim, tão boa, tão… leve.
cof cof
quanta poeira aqui.
cof cof
Florzoca, essa fotografia tua me fez lembrar que outro dia desses, quando meu avôzinho-cabelos-de-algodão completou 90 anos, lhe presenteei com uma dessas flores-vento dizendo:
- É só soprar e fazer 90 pedidos com carinho.
Eu acho que ele obedeceu
Eu também acho que as pessoas que querem seguir fielmente os padrões de beleza, tem generosas doses de inveja dentro de si, isso está ligado a inveja, ao ego, a vaidade. Querer ser igual a todo mundo é muito cruél porque a gente nunca vai ser igual a todo mundo e isso vai nos deixar frustrados, o jeito é nos aceitarmos da maneira que somos.
Beijão!