December 16, 2008 – 5:19 pm

Dias atrás, entrei em contato com o universo fascinante da garotinha francesa Capucine, de quatro anos. Seus vídeos (editados amorosamente por sua mãe, Anne), fotos e histórias têm me feito feliz, sempre que os vejo e revejo. Puro encantamento essa menina (e me faz sonhar com a Nina, porque é justamente assim que a imagino).
Não consegui postar aqui o vídeo que queria compartilhar com vocês (tento mais tarde novamente), mas aqui vai a cartinha da Capucine para o Papai Noel:
Père-Noël,
Je voudrais un beau cadeau et je voudrais te voir.
Parce que j’ai été très sage pendant toute l’année. J’ai bien écouté, j’ai rangé ma chambre toute seule et je me suis bien amusée à l’école, et j’ai joué avec mes copains.
Et puis je vais déménager, j’aurai une belle maison et une mezzanine.
Je mange tout, mais parfois, je mange pas.
Ensuite je voudrais te voir pour Noël et Halloween et te parler. Je voudrais te chanter une chanson-poème. C’est quand l’hiver ?
Aussi je voudrais te parler mais si jamais tu es parti trop loin, je voudrais te voir dans ta maison.
Si je te fais des calins, ta barbe va pas piquer, elle va seulement me chatouiller.
Et je voudrais aller dans ton traîneau. Comment je vais faire ? Il faut que je monte aux arbres ?
Bisous,
Capucine.
December 11, 2008 – 3:41 pm

Lindo texto enviado pela Mari, amiga idealizadora do Orelha do Livro.
Minha avó costumava ler para mim quando eu ainda era analfabeto. Ela tinha dois óculos. Um que usava no dia a dia, com uma armação grossa, de cor castanha. Outro de armação mais escura.
Esse, ela tirava de um estojo de tecido apenas nas ocasiões em que abria um livro para minha audição atenta. Associei uma coisa à outra. Leitura e óculos de armação escura.
Guardava esses óculos, ainda mais grossos e pesados que os outros, em uma gaveta da cômoda.
Talvez junto com o mesmo lápis com que começou a me ensinar a escrever, que segurava para que eu abraçasse sua mão com meus dedos miúdos. Juntos bailávamos o desenho das letras que eu ainda não entendia. Ela escrevia frases de que não me lembro e eu mantinha meu punho na garupa do dela.
Quem sabe por isso, hoje, eu segure a caneta de modo tão estranho. Entre minhas palavras e meus dedos, há uma mão mais idosa que a minha a manejar o leme das frases.
Um dia, sucumbi à lógica e entendi o mistério do abecedário.
Abri a gaveta, cuidadosamente tomei o estojo e levei os grossos óculos ao rosto. Entontecido pelo grau imenso das lentes, ainda assim abri um livro que separei para a ocasião.
Finalmente, depois de perceber o quanto aquilo era inútil, tirei os óculos. Fui reclamar com ela. Aparentemente, os óculos não estavam mais funcionando.
Eu continuava sem entender nada daquilo que estava nas páginas.
Por Alessandro Martins
December 9, 2008 – 1:47 am


Bloom, instalação do inglês Sam Spenser, na East London art space the Wapping Project.
Um pouco mais aqui:
Last week, I watched the deep, absorbed pleasure of Spenser installing his take on the yellow colour in a beautiful plane tree – open yellow umbrellas hang from the ends of the branches like flowers. (…)
Spenser was also working on fine-tuning the sound installation that will play beneath the tree. “Colour has frequency, and so I used the 137c colour to inspire a piece of music, too,” he says.
December 2, 2008 – 2:02 am
Tirando o pó do blog (andei uns dias meio sumida mesmo), trago pra vocês uma novidade bacanérrima chamada Orelha do Livro. O projeto, de autoria da minha queridíssima amiga (jornalista, discotecária, cinéfila, especialista em uma infinidade de coisas incríveis) Mariana Sanchez, se desdobra em dois: um programa de rádio e um site, em que a Mari disponibiliza podcasts com o melhor da literatura mundial. São dicas de lançamentos recentes até resenhas de obras clássicas, em uma linguagem dinâmica e bem-humorada. Prestem atenção nas trilhas que acompanham os programas - coisa fina, minha gente!
A partir de hoje, segunda-feira 01/12, você já pode escutar o Orelha do Livro na rádio Lumen FM, de Curitiba. Os programas vão ao ar de segunda a sábado às 14h, com reprise às 20h30, e têm um minutinho de duração. Sintonize na 99.5 FM e não deixe que a literatura entre por um ouvido e saia pelo outro.
p.s.: a loguinho ali acima é de autoria minha e do Sr. Fábio Dudas, num dos primeiros projetos do nosso (presente-futuro) estúdio.
November 27, 2008 – 2:53 pm

Estava eu em Porto Alegre - onde passei quase uma semana visitando a Feira do Livro e minha amiga Leda -, tomando um vinhozinho no café do sétimo andar da Casa de Cultura Mario Quintana, lendo e acarinhando o recém-adquirido Livro das Perguntas, do Pablo Neruda, traduzido pelo Ferreira Gullar e ilustrado pelo genial artista catalão Isidro Ferrer, quando me deparo com esta linda pergunta:
Se todos os rios são doces, de onde o mar tira o sal?
Mandei por sms para minha querida Babs e, para minha alegria, recebi uma linda réplica por mail (tenho amigos tão preciosos que resolvi compartilhar os escritos e carinhos com vocês):
querida camélia-flor,
muito surpresa com a tua mensagem me vi a pensar sobre o escrito durante bastante tempo. o lado racional logo fez menção às erosões iônicas e às transformações geológicas de outrora. mas, as emoções sempre se sobrepõem conosco, não é mesmo?! e remeteram o pensamento a um bonito conto, que para a minha alegria encontrei registrado pela net afora. então, antes mesmo de indagar sobre tuas razões no questionamento, partilho o conselho e a lição em palavra.
para que possamos sempre aspirar as alegrias e encontrar a coragem para persegui-las. mas nunca deixar de reconhecer a felicidade já conquistada.
te amo muito.
carinho,
babs.
Era uma vez um pobre pescador português, muito pobre mas muito generoso. Tinha perdido tudo quanto possuía porque não tinha pescado nada, havia muito tempo : no mar, já não havia peixe. Cansado de tanta infelicidade, decidiu atirar-se ao mar ingrato e pôr fim à triste existência. Estava quase decidido quando se aproximou dele uma velhinha. A mulher, atenta à sua dor, ofereceu-lhe um pequeno moinho, dizendo-lhe :
- Não desesperes. Este pequeno moinho dar-te-á tudo quanto desejares e para tal basta dizeres “mói moinho”. Quando tiveres já o suficiente, dirás “pára de moer moinho”. O bom homem pensou que gostaria de viver numa casinha bonitinha, rodeada por um pequeno pomar e repetiu as palavras :
- Mói, moinho !
E o seu desejo tornou-se realidade.
Satisfeito, o homem disse então :
- Pára de moer, moinho.
…
A fama do moinho espalhou-se e chegou aos ouvidos de um vizinho rico que o pediu emprestado. No alto-mar, o vizinho que possuía um barco, dirigiu-se a terras longínquas em busca de sal. Como o sal era precioso, o homem pensou que podia aumentar a riqueza pedindo sal ao moinho.
- Mói, moinho! – disse.
De repente, começou a aparecer sal que encheu o barco até às velas. Mas com o peso, a embarcação afundou-se e com ela o capitão, e com ele o sal e com ele o moinho, que continuou a moer, a moer e a fazer aparecer sal até encher o mar imenso… até aparecer alguém que lhe disse :
- Pára de moer, moinho.
É por isso que a água do mar é salgada, já que antes era doce como a água dos rios.
November 21, 2008 – 2:32 pm

Quando morre uma crianca, morre um pouco de cada um de nos, morre um pouco do mundo. Estive um pouco fora do ar esses dias com a noticia da morte do menino Caio, amigo do meu irmao Leo, uma crianca-adolescente muito querido. Morreu de uma fatalidade, de uma estupidez sem tamanho. E nos deixou tristes deste lado de ca, tentando achar uma explicacao, um alento.
Recebi um e-mail da minha grande amiga Leda que me reconfortou um pouco. Um trecho diz assim: “Mas no final as coisas boas passam. Morrem. As coisas ruins também. Morre planta, morre bicho, morre vento, morre água. Morrem e voltam outros. Fica o que marca a gente. E a gente também morre, a cada dia. Acho que todo dia morro, e todo dia sou nascida. Entre a vida e a morte, a certeza do final até que me é boa: me dá esperança pra continuar e força pra viver o que quem eu amei não viveu. Deixar o mundo melhor pra quem vier, porque quem vier, assim como quem está aqui, pode não ter muito tempo pra aproveitar.”
Abraco em todos, volto em breve (com a alma mais leve e o teclado consertado). Ilustracao de Fabio Dudas, meu amor.
October 31, 2008 – 3:23 pm


Leve, como leve pluma, muito leve leve, pousa. Muito leve leve pousará. (Secos & Molhados)
Nota mental: cultivar, com ousadia, a leveza. Sempre e mais.
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Recebi essa semana este texto e o achei muito pertinente. Compartilho com vocês:
Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão.
Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito ‘normal’ é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se ‘normaliza’ acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha ‘presença’ através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?
Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras , e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu ‘normal’ e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.’
Martha Medeiros
05.08.07-Jornal Zero Hora - Porto Alegre-RS
October 17, 2008 – 5:08 pm
O fotógrafo alemão Jan von Holleben (Cologne, 1977) brinca com a gravidade e produz imagens plenas de lirismo e toques de mágica. Vejam só que linda a série intitulada Dreams of Flying (dica da minha querida amiga Babs):




October 16, 2008 – 9:11 pm
só pra mó de não esquecê:
O que nos impede, na maioria das vezes, de ter o que queremos, de ser o que sonhamos, de fazer o que pensamos, de aceitar com o coração, é a ousadia que não cultivamos.
Clarice Lispector